Prevenção e Diagnóstico Precoce do Câncer de Mama
Para se abordar a prevenção do câncer de mama é importante atualizar o conhecimento dos mecanismos básicos de carcinogênese mamária, que depende de um processo seqüencial de três etapas: iniciação, promoção e progressão.

 
 

A iniciação é de origem genética, ou seja, depende de lesão no DNA cromossômico, herdada ou adquirida, que leva a perda de regulação do ritmo de proliferação e de apoptose celular.
A promoção reflete a atuação de fatores estimulantes da multiplicação das células previamente modificadas geneticamente. Entre esses fatores se sobressaem os hormônios esteróides, principalmente os estrogênios produzido no próprio organismo. Esses atuam continua e repetidamente nas centenas de ciclos menstruais que a melhor moderna, que engravida poucas vezes e que amamenta por pouco tempo, experimenta em sua vida.

Na fase de progressão, as células tumorais tendem a invadir a membrana basal subepitelial, ultrapassar o estroma e atingir vênulas e linfáticos, para embolizar e impactar em órgãos-alvo de metástase.

As estratégias de atuação para a prevenção do câncer de mama podem ser classificadas em dois tipos: as que visam evitar a sua formação (prevenção primária), e as que têm por objetivo sua detecção precoce (prevenção secundária).

 
 

Prevenção Primária
Em termos de prevenção primária, devem ser lembradas, em primeiro lugar, as medidas mais simples, dietéticas e comportamentais. Deve-se evitar obesidade, sedentarismo, alimentos gordurosos e ingestão alcoólica em excesso.
Prescreveu-se tamoxifeno na dose de 20 mg por dia por cinco anos. Pode-se recomendar esse esquema para mulheres com mães e/ou irmã

 
 

com câncer de mama, hiperplasia atípica, neoplasia lobular in situ e carcinoma ductal in situ, mas sempre após se discutir com a paciente pormenorizadamente os riscos e benefícios da medida e deixar para ela a decisão final sobre tomar ou não o medicamento.

O tamoxifeno atua antagonizando os efeitos estimulantes dos estrogênios e, embora não seja efetivamente um bloqueador de iniciação genética, ao bloquear o desenvolvimento de células anormais, está impedindo ou retardando o aparecimento clínico ou imagenológico do tumor de mama.

Seus efeitos colaterais mais importantes são ondas de calor, hiperplasia endometrial e formação de trombos. Sabe-se, entretanto, que o risco desses efeitos pode ser minimizado se for evitada a droga para mulheres com história de fenômenos tromboembólicos ou com varizes intensas em membros inferiores. É importante também, antes do início da droga, proceder-se à avaliação oftalmológica (fundo de olho e também pressão intra-ocular) e ecográfica do endométrio.

Existe ainda o recurso da cirurgia redutora do tecido das mamas. Para casos selecionados de risco elevado e grave repercussão emocional, pode ser empregada a adenectomia mamária (retirada da glândula, deixando a pele, aréola e papila) com inclusão de prótese de silicone. Esta cirurgia reduz o risco de câncer de 90% e quase sempre leva à bom resultado estético.

Prevenção Secundária
Estima-se que desde a primeira divisão celular anômala até um nódulo palpável de um centímetro, que corresponde a um bilhão de células tumorais, exista um intervalo aproximado de 10 anos. Nesse período, o melhor método com ação comprovadamente eficiente como “screening” é a mamografia.

A orientação atual, que deve ser seguida em condições ideais de recursos, é a mamografia uma vez por ano a partir dos 40 anos de idade.

Nas pacientes de alto risco a rotina mamográfica deve ser individualizada, iniciando-se mais precocemente e realizando-se também a ultra-sonografia mamária e a ressonância magnética. Geralmente, indica-se a mamografia nas pacientes de alto risco anualmente, desde a idade correspondente a 10 anos antes do que a idade do diagnóstico do câncer de mama em familiar de primeiro grau (mãe ou irmã).